quinta-feira, 30 de outubro de 2008

São Paulo bate o Botafogo no Engenhão e cola na liderança do campeonato

Rogério Ceni – Mostrou mais uma vez que é diferenciado. Mostrou toda sua elasticidade em defesa na cobrança de falta do Botafogo. Experiente, soube segurar o jogo nos momentos de sufoco. Nota 7,5

Jancarlos – Novamente não aproveitou a chance. Está perdendo espaço no Tricolor. Nota 5,0

André Dias – Xerife da defesa Tricolor, novamente mostrou que está em sua melhor fase. Nota 7,0

Miranda – Vacilou feio dentro da área e proporcionou o gol de empate do Botafogo. Mas tem muito crédito... Nota 4,0

Rodrigo – Mostrou muita vontade, mas se perdeu em alguns momentos nas bolas pelo alto. Logo no início do jogo, tomou uma bola nas costas que por pouco não originou o gol de cabeça do zagueiro botafoguense André Luiz. Nota 5,5

Jorge Wagner – Está retomando o futebol que o projetou no Inter. Acrescenta muito ao time quando participa do jogo. Ontem mostrou muita disposição, marcou e chegou com perigo ao ataque. Não está mais limitado às jogadas de bolas paradas. A torcida do São Paulo cobra Jorge Wagner porque sabe que ele tem muita bola no pé. Nota 7,0

Hernanes – Forma um belo meio-campo ao lado do garoto Jean. Frente ao Botafogo retomou seu bom futebol: marcou, apoiou ao ataque e fez um golaço, cortando dois botafoguenses e arrematando com categoria. Nota 7,5

Jean – É impressionante como o garoto Jean se comporta em campo, pois ele joga como veterano. Habilidoso e com ótima visão de jogo mostra que está acima da média. Para consagrar sua excelente atuação marcou um golaço. Nota 9,0

Hugo – Jogou com muita raça e disposição. Ajudou na marcação. Nota 6,0

Anderson – Entrou no final. Nota 5,0

Dagoberto – Correu, lutou, suou, mas sem muitos resultados. Nota 5,5

Bruno – Entrou no final. Nota 5,0

Borges – Apostava na dupla Borges-Dagol, mas ontem estiveram sumidos. Borges, sempre muito ativo nas partidas, apagou-se frente ao Botafogo. Nota 3,5

André Lima – Não dá para entender o sumiço do seu futebol. Estreou com tudo, marcou dois gols, encheu de esperança a torcida e depois disso sumiu... Não se encontra mais nas partidas. O que será que acontece? Nota 3,5

Muricy – Mais uma vez montou um time compacto e pegador. Apostou na dupla Dagoberto-Borges, mas eles não corresponderam em campo. (Eu esperava muito dessa dupla...). Encontra dificuldades para montar um ataque eficiente, pois os atacantes tricolores estão muito irregulares: oscilam entre ótimas e péssimas atuações.

Temos que registrar a coragem e o olhar clínico de Muricy para revelar novos craques, como é o caso do garoto Jean, o senhor do meio-campo Tricolor. Acrescenta ao time, ao futebol brasileiro e gera receita para o clube. Nota 7,5

Participe das avaliações, envie críticas e sugestões para: ricardoflaitt@hotmail.com

Texto publicado no site www.tricolorpaulista.net

sábado, 25 de outubro de 2008

Futebol: Os Dois Lados da Declaração de Muricy

Os dois lados da declaração de Muricy

Por Ricardo Flaitt

Discordo da posição de Muricy ao declarar: “Quem quiser espetáculo que vá ao teatro". Mas temos que entender o que há nas entrelinhas...

Seu palpite infeliz não acrescenta nada à sua carreira vitoriosa e ascendente. Aliás, soa ainda mais absurda por ele ser um discípulo de Telê Santana. Muricy contradiz suas raízes ao vociferar essa frase.

Antes que me joguem para escanteio. Quero deixar claro que não pretendo aqui ser nostálgico e desconsiderar os novos mecanismos do futebol. É evidente que o ritmo e a pegada são outros, mas ainda defendo que um time pode ser competitivo e ofensivo sem ser burocrático.

A frase foi infeliz, mas Muricy não pensa assim e já mostrou isso com a equipe do São Paulo em 2006. Jogando no esquema 3-5-2, o time tinha uma das defesas mais sólidas do mundo e ao mesmo tempo um poder ofensivo muito grande, com vários setores atacando em massa com laterais e meias multifuncionais (ou polivalentes, como queiram).


Diante da falta de talentos em alguns setores, contusões, suspensões e venda constante de jogadores, Muricy se vê obrigado a montar um esquema mais burocrático, ora jogando com três volantes, ora improvisando Hugo no ataque e outros “remendos” mais.

O time, sem o poder das alas, está embolado pelo meio. O Tricolor precisa com urgência de dois laterais de ofício a exemplo de Kléber (Santos) ou do argentino Sorín, para que a ala esquerda seja mais uma opção para o time. Outro ponto falho na equipe é a ala direita. Depois que saíram Cicinho e Ilsinho o São Paulo nunca mais se encontrou de fato. Apenas teve bons momentos com os improvisados Souza e Leandro.

O meia armador também ainda não chegou. Depois que Danilo foi para o Japão, o São Paulo perdeu sua referência no meio. Ficou capenga. Agora temos que conviver com um ataque isolado.

Bom, mas aí não é culpa de Muricy. É culpa da diretoria que arrecada milhões entre venda de jogadores e marketing, mas não investe o suficiente na equipe. Muricy chegou até a declarar publicamente que cobrava da diretoria uma posição, mas os laterais e o meia não vieram.

Se por um lado condeno a declaração de Muricy, tenho que me curvar ao seu esquema burocrático, mas funcional, diante do elenco e as condições que o São Paulo dispõe no momento.

Quanto ao espetáculo, Muricy, o nosso palco é o Morumbi.

Participe, dê sua opinião. Envie críticas e sugestões para: ricardoflaitt@hotmail.com

(Texto publicado no site www.tricolorpaulista.net)

O Último Tango em Paris: o Amor além dos valores sociais


O Último Tango em Paris: o Amor além dos valores sociais

Por Ricardo Flaitt

Seria o Amor uma mera invenção do homem? Mas o que representa esse sentimento além dos valores atribuídos e incorporados pela sociedade? Esses são os temas que entrelaçam uma história aparentemente simples, mas que questiona um dos principais sentimentos humanos.

Em O Último Tango em Paris, Bertolucci revela o Amor e seus dramas, sem rótulos, o Amor incondicional, com suas dores e a eterna incompreensão desse sentimento tão real e ao mesmo tempo tão abstrato.

Marlon Brando interpreta Paul, um americano de meia-idade que vê sua vida ruir com o suicídio da mulher. Ao caminhar pelas ruas de Paris encontra uma jovem parisiense, a qual terá viverá uma paixão imensa por três dias.

A vida dos personagens principais (Jeanne e Paul) se realiza num quarto sem mobília. Sem se conhecerem, envolvem-se intensamente e iniciam uma verdadeira reconciliação de si mesmos através do sexo, de forma mais instintiva possível. Ali, sem estipular regras, sem estabelecer qualquer contato com o mundo lá fora, desnudam a si e ao mundo. Constroem um mundo distante dos padrões sociais, onde impera os sentidos e desconstroem-se perante o mundo.

Para que os instintos sobreponham às regras sociais eles estabelecem entre quatro paredes que a única regra é não falar nada sobre as vidas pessoais No segundo encontro, Jeanne (interpretada por Maria Schneider) diz: “é lindo não saber de nada!”. Chegando ao extremo, substituem os próprios nomes por grunhidos. Assim subvertem o mundo, seus significados e os fetiches por uma vida onde o instinto sobrepõe. Talvez o verdadeiro mundo, onde as sensações prevalecem sobre os valores instituídos pela sociedade.

Numa cena marcante para o cinema e que ficará gravada na mente de muitas gerações, a jovem Jeanne em diálogo com Paul: “Vou falar-lhe de segredos de família, essa sagrada instituição que pretende incutir virtude em selvagens. Repita o que vou dizer: sagrada família, teto de bons cidadãos. Diga! As crianças são torturadas até mentirem. A vontade é esmagada pela repressão. A liberdade é assassinada pelo egoísmo."

Bertolucci tinha apenas 32 anos quando dirigiu O Último Tango em Paris. Sem dúvida, uma obra-prima do cinema, madura, reveladora, provocadora e que nos faz repensar todos os nossos valores.

Curiosidades - Marlon Brando não usava maquiagem e praticamente improvisou todas as suas falas, fazendo com que o personagem se confundisse com o ator real. Lançado em 1972, teve sua exibição proibida no Brasil até 1979.

O Último Tango em Paris (Last tango in Paris, 1972), de Bernardo Bertolucci. Franca/Itália – Drama – cor – 130 min. Disponível em DVD.

Ricardo Flaitt é jornalista. Envie dicas e sugestões para: ricardoflaitt@hotmail.com
(Texto publicado dia 24 de outubro de 2008 no jornal Guarulhos Hoje)