sábado, 31 de janeiro de 2009

Cinema: Shine - Brilhante

Amor que anula

Por Ricardo Flaitt 

Shine conta a história verídica do excêntrico e genial pianista australiano David Helffgott que, em sua infância, sofreu por conviver pela presença de um pai dominador, interpretado por Armin Mueller-Stahl. Autoritário e possessivo, o pai transferiu para o filho todas as frustrações por não ter sido um grande violinista. Assim, levava os treinamentos do filho ao extremo, anulava sua infância para que David se tornasse um célebre pianista.

 

Reconhecido o talento do garoto num concurso da escola, David passou a ter aulas com um professor de música conceituado que, impressionado com seu potencial, consegue uma bolsa de estudos em uma renomada escola de música. 

Era forçado a tocar exaustivamente.  O grande sonho do pai era que David executasse uma obra de Rachmaninoff (Sergei Vasilievich Rachmaninoff, russo, que viveu entre 1 de abril de 1873 a 28 de março de 1943). A obsessão lhe rendeu um trauma. 

Durante um concurso na academia, ao tocar a obra de Rachmaninoff, David tem um surto psicótico, uma catarse, que afeta sua mente. Após o incidente, David tem suas emoções distorcidas em relação ao mundo, parece viver num mundo só seu.

 

Shine mostra os bastidores da vida de um artista atormentado pela figura paterna, que pelo excesso de amor acabou anulando o talento e a vida do filho. A atuação de Geoffrey Rush como David na fase adulta é espetacular, uma verdadeira aula de interpretação. Não é sem mérito que levou o Oscar de melhor em 96.

 

Premiação – Ganhou o Oscar de Melhor Ator (Geoffrey Rush), além de ter sido indicado em outras 6 categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Armin Mueller-Stahl), Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora - Drama e Melhor Roteiro Original. 

- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator - Drama (Geoffrey Rush), além de ter sido indicado em outras 4 categorias: Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora. 

- Ganhou 2 prêmios no BAFTA, nas categorias de Melhor Ator (Geoffrey Rush) e Melhor Som. Recebeu ainda outras 7 indicações, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante (Lynn Redgrave), Melhor Ator Coadjuvante (John Gielgud), Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro Original.

 

Curiosidades – O diretor Scott Hicks era um produtor de documentários para televisão antes de filmar Shine. Várias músicas da trilha sonora do filme são composições de David Helffgot.

 

Shine - Brilhante (Austrália, 1996), direção de Scott Hicks. Roteiro: Jan Sardi, baseado em estória de Scott Hicks. Elenco: Geoffrey Rush (David - adulto), Justin Braine (Tony), Sonia Todd (Sylvia), Chris Haywood (Sam), Alex Rafalowicz (David - criança), Armin Mueller-Stahl (Peter), Nicholas Bell (Ben Rosen), Danielle Cox (Suzie - criança), Rebecca Gooden (Margaret)

Marta Kaczmarek (Rachel), John Cousins (Jim Minogue), Noah Taylor (David - adolescente), Randall Berger (Isaac Stern). Cor, 130 min. Drama. Disponível em DVD. Música: David Hirschfelder. Direção de Fotografia: Geoffrey Simpson 

Ricardo Flaitt é jornalista. Críticas e sugestões para ricardoflaitt@hotmail.com

Texto publicado no jornal Guarulhos Hoje (www.guarulhosweb.com.br). 30 de janeiro de 2009

Futebol: Sócio-torcedor gera R$ 4 milhões ano ao SPFC


por Ricardo Flaitt

Em meu texto anterior, falei que o SPFC precisava aprender com o Internacional de Porto Alegre quanto ao projeto de sócios-torcedores. Eu o escrevi de acordo com uma matéria publicada por Paulo Vinícius Coelho, o PVC, no Folha de São Paulo, onde mostrava que o Inter possui 77 mil sócios.

Mas existe um detalhe importante a ser considerado quanto aos números apresentados pelo Colorado. O problema é que o Inter contabiliza os associados ao clube e os sócios-torcedores, o que gera um montante que não corresponde à realidade.

Checando os dados com Guilherme Momensohn, coordenador do Projeto Sócio-Torcedor do São Paulo, o Tricolor possui 30.000 STs, 40.000 cadastros e faturamento próximo a R$ 4 milhões ao ano. Sem dúvida, uma grande cifra considerando que os projetos para sócios-torcedores ainda estão ganhando forma entre os brasileiros.

Segundo Guilherme, se somássemos os sócios-torcedores com os associados do clube, o São Paulo atingiria a marca de 60 mil sócios. Ou seja, uma marca próxima ao Inter que, como é divulgado na imprensa, é referência nos projetos de sócios torcedores.

Como se vê, os números são relativos. O São Paulo continua seu projeto com base em números reais, gera receita para o clube e amplia o vínculo entre os torcedores e o clube. Os interessados podem obter mais informações pelo site: www.sociotorcedor.com.br

Texto publicado no site: www.tricolorpaulista.net

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Cinema: Seven, de David Fincher


Os 7 crimes capitais

Por Ricardo Flaitt

Quando falamos sobre um filme policial sempre nos vem à mente um filme repleto de perseguições, tiroteios e uma edição de imagens em ritmo alucinante. Mas Seven não é bem assim...

Dirigido por David Fincher, Seven amplia os limites do policial com um roteiro inteligente em que combina, de forma equilibrada, elementos do gênero com requintes de arte. O filme não se resume a tiros e policiais tomando café e comendo rosquinhas em busca de bandidos.

Fincher narra a história de dois policiais que se deparam com assassinatos que se manifestam de forma estranha, repletos de significados e simbologias, que exigem experiência, cultura e percepção dos detetives William Somerset (Morgan Freeman) e David Mills (Brad Pitt).

Freeman interpreta um detetive experiente, que está há sete dias de sua aposentadoria e não quer se envolver num caso complexo, enquanto Brad Pitt é o impetuoso, ansioso e ambicioso detetive que se transfere para a cidade grande e violenta em busca de aventuras.

O desafio é encontrar um serial killer refinado, culto, que mata de acordo com os sete pecados capitais: gula, preguiça, vaidade, inveja, luxúria, avareza e ira. Com esses ingredientes, Seven expande os sentidos e limites do policial e nos faz refletir sobre os valores da sociedade capitalista.

Vale ressaltar que os diferentes temperamentos dos detetives não são aleatórios no filme, pois se entrelaçam aos pecados relacionados ao assassino em série.

Com um final criativo e surpreendente, o único pecado que você cometerá após ler essa coluna é o de não assistir a esse excepcional filme.

Premiação – Por incrível que pareça, Seven conseguiu apenas a indicação ao Oscar na categoria Edição, de Richard Francis Bruce. Como já aconteceu com outros filmes, Seven agora sempre figura na lista dos melhores de todos os tempos.

Curiosidades – O roteiro foi escrito por Andrew Kevin Walker, que na época era caixa da Tower Records. Roberto Miguel Rey Júnior, conhecido como Robert Rey no reality show Dr. 90210 (no Brasil Dr. Hollywood), foi consultor médico neste filme.

Se7en – Os Sete Crimes Capitais (EUA, 1995), direção de David Fincher. Elenco: Morgan Freeman (Detetive William Somerset), Brad Pitt (Detetive David Mills), Daniel Zacapa (Detetive Taylor), Kevin Spacey (John Doe), Gwyneth Paltrow (Tracy Mills), John Cassini (Oficial Davis), Peter Crombie (Dr. O'Neill), Richard Portnow (Dr. Beardsley), R. Lee Ermey (Capitão da polícia). Cor, 127 min. Disponível em DVD.
Veja o trailer do filme

Ricardo Flaitt é jornalista. Críticas e sugestões para ricardoflaitt@hotmail.com

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Cinema: Cleópatra (1963)


O império de areia

Por Ricardo Flaitt

Considerado o filme mais caro da história do cinema (em torno de U$$ 270 milhões atuais), Cleópatra não poderia ter outra classificação senão épico. Tudo é grandioso: cenários, figurinos, interpretações, produção, fotografia, elenco, trilha sonora, etc.

Vencedor de quatro Oscar e indicado em mais cinco categorias, o filme mostra a história de Cleópatra, uma das mulheres mais poderosas do mundo antigo, interpretada magistralmente pela belíssima Elizabeth Taylor. Além da biografia da rainha o filme narra a história dos feitos de Roma, as relações com outras nações, as decisões do senado. O modo de vida da população é deixado de lado. O enfoque se dá nos principais líderes de Roma e do Egito.

Roma depende do Egito para o fornecimento de grãos. Deste modo, Júlio César (Rex Harrison) vai ao Egito para resolver uma briga interna entre Cleópatra (Elizabeth Taylor) e seu irmão, que tenta assumir o poder. César recoloca Cleópatra no trono, assegura o fornecimento de grãos e acaba apaixonando-se pela rainha. Da união nasce Cesário, verdadeiro herdeiro de dois mundos.

Os romanos não aceitam o casamento entre Júlio César e Cleópatra. Ao retornar à Roma, César é assassinado no Senado. Dividida em regiões, agora. Roma é comandada por Otávio (Roddy MacDowall), que se intitula o novo César, enquanto Marco Antônio comanda outros domínios do Império.

Mas eis que acontece uma nova reviravolta. Marco Antônio, em visita diplomática ao Egito, também se apaixona por Cleópatra. Casa-se e, com isso, gera um novo impasse com Roma. Manipulado pela inteligente e ambiciosa Cleópatra, Marco Antônio se indispõe com Roma.

São quatro horas de filme que mostram a vida de Cleópatra e o jogo político na antiguidade. A alternância de poder, o jogo de interesses, os bastidores, as articulações para se preservar no poder e os respectivos métodos. Sem dúvida um filme que além de revelar a vida da época, mostra como se operava a política entre os líderes de um povo.

Cleópatra é muito mais do que uma cinebiografia é uma obra reveladora do ponto de vista histórico, pois os procedimentos políticos da antiguidade não são muito diferentes dos aplicados atualmente, o que determina a condição de clássico.

Curiosidades - Cleópatra é o filme mais caro de todos os tempos. Na época de sua realização sua produção custou US$ 44 milhões. Se esta quantia fosse reajustada até em relação ao dólar em 1999, o filme custaria na verdade US$ 270 milhões. - Durante Cleópatra, Elizabeth Taylor trocou de figurino 65 vezes, sendo até hoje um recorde para um filme feito para o cinema. - Elizabeth Taylor foi o 1ª intérprete de Hollywood a receber US$ 1 milhão por um único filme, por sua participação em Cleópatra

Premiações - Ganhou 4 Oscars, nas seguintes categorias: Melhores Efeitos Especiais, Melhor Fotografia - Colorido, Melhor Figurino - Colorido e Melhor Direção de Arte - Colorido. Foi ainda indicado em outras 5 categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (Rex Harrison), Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora e Melhor Som.

Cleópatra (Cleopatra, 1963), direção de Joseph L. Mankiewicz. Elenco: Elizabeth Taylor (Cleópatra), Richard Burton (Marco Antônio), Rex Harrison (Júlio César), Pamela Brown (Alta Sacerdotisa), George Cole (Flavius), Hume Cronyn (Sosigenes), Cesar Danova (Apollodorus) e Kenneth Haigh (Brutus). Fotografia: Leon Shamroy. Música: Alex North. Figurino: Vittorio Nino Novarese, Renié e Irene Sharaff. Edição: Dorothy Spencer. Roteiro: Sidney Buchman, Ranald MacDougall e Joseph L. Mankiewicz, baseado em livro de Carlo Mario Franzero

Ricardo Flaitt é jornalista. Críticas e sugestões para ricardoflaitt@hotmail.com


Texto publicado no jornal Guarulhos Hoje

Futebol - América: território a ser conquistado por Muricy


É evidente que um clube da dimensão do São Paulo sempre que disputa um campeonato é com objetivo de vencê-lo. Mas, sem dúvida, a prioridade para 2009 é a Copa Libertadores da América.

Não oficialmente, a conquista da América é o desafio estipulado pela diretoria. E é também o maior desafio para Muricy Ramalho, que declarou nas coletivas o interesse e o foco no torneio.

Muricy já demonstrou que é um técnico acima da média, principalmente em campeonatos disputados em pontos corridos, onde são consagrados os mais competitivos e regulares. No entanto, completando três anos à frente da equipe do Morumbi, o técnico ainda deve para a torcida Tricolor um título em torneio mata-mata, principalmente o que representa o topo da América.

A diretoria fez sua parte. Preservou praticamente o elenco hexacampeão do Brasileirão 2008 e reforçou com seis novos bons jogadores: Washington (o matador), Júnior César e Wagner Diniz (para resolver o problema das alas com laterais de ofício), Eduardo Costa (nível de Seleção), Arouca (para o meio que já é forte) e Renato Silva (zagueiro jovem e bom de bola).

A verdade é que ainda faltou o tão sonhado “camisa 10”, um jogador para articular as jogadas como Alex (na Turquia). Mas o São Paulo adota uma política de não fazer loucuras, com salários exorbitantes e contratações. O futebol, ainda mais em tempos de crise, exige planejamento e cautela.

Muricy conquistou o hexacampeonato nacional, com isso, colocou o São Paulo como o soberano de títulos, o maior campeão do Brasil. Para coroar sua passagem (já histórica no clube) falta a consagração maior, conquistando um território sagrado para o São Paulo, mas ainda desconhecido para Muricy: a América.


Texto publicado no site http://www.tricolorpaulista.net/

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Cinema: Os Imperdoáveis

Western árido e sem mocinhos

Por Ricardo Flaitt

Quando muita gente já pensava que o Western estava esgotado em Hollywood, eis que, em 1992, Clint Eastwood fez ressurgir o gênero mais antigo do cinema com Os Imperdoáveis. Um filme onde o oeste americano é projetado sem mocinhos nem bandidos, num território feito por homens, que lutam para sobreviver de acordo com o que aquele mundo árido lhes oferece.

Os Imperdoáveis narra a história de um pistoleiro aposentado interpretado por Clint Eastwood (Bill Munny), aparentemente redimido, vivendo com os filhos num sítio que, após convite de um jovem pistoleiro, decide retomar suas antigas atividades em nome de uma recompensa de 1.000 dólares. A missão é se vingar de dois capangas que cortaram o rosto de uma prostituta. Para isso, Bill chama o antigo parceiro Ned Logan (Morgan Freeman).

O contraponto entre os pistoleiros Bill, Ned Logan (Morgan Freeman) e o jovem é o xerife Little Bill Daggett (Gene Hackman), que pelo fato de ter esquema com os fazendeiros locais, ignorou o ato praticado pelos vaqueiros. Mas a notícias já tinha se alastrado pelo oeste e chegado aos ouvidos de caçadores de recompensas. Little Bill quer evitar a presença de pistoleiros na cidade, mas o dinheiro fala mais alto.

Dentre os pretendentes à recompensa, destaque para a pequena (mas grandiosa) participação do veterano ator Richard Harris, que interpreta o pistoleiro Bob, o inglês.

Os Imperdoáveis é um retrato fiel da brutalidade humana, do instinto animal e de sobrevivência que, seja no velho oeste ou nos dias atuais sempre se projeta na realidade. Destaque para a linda fotografia de Jack N. Green, contrastando paisagens belíssimas, iluminadas e poéticas com um oeste árido, sem lirismo, brutal, soturno, sombrio e selvagem.

Curiosidades – Bill Munny é uma retomada de alguns personagens interpretados por Eastwood na consagrada trilogia do diretor Sergio Leone: Por um Punhado de Dólares (1964), Por Uns Dólares a Mais (1965) e Três Homens em Conflito (1966).

Os Imperdoáveis (The Unforgiven, 1992), direção e produção de Clint Eastwood. Western. Música: Lennie Niehaus. Fotografia: Jack N. Green. Elenco: Oskar Clint Eastwood (Bill Munny), Gene Hackman (Little Bill Daggett)
Morgan Freeman (Ned Logan), Richard Harris (Bob, o inglês), Jaimz Woolvett (Schofield Kid), Saul Rubinek (W.W. Beauchamp), Frances Fisher (Strawberry Alice). Cor. 131 min. Disponível em DVD.

Premiações: Venceu quatro Oscar: Melhor filme (Clint Eastwood), melhor diretor (Eastwood), melhor ator coadjuvante (Gene Hackman) e melhor edição (Joel Cox). Também recebeu indicação ao Oscar para melhor roteiro, melhor ator, direção de arte, fotografia e som.

Ricardo Flaitt é jornalista. Críticas e sugestões para ricardoflaitt@hotmail.com

Texto publicado no Jornal Guarulhos Hoje

Futebol - Anderson: na contramão da história


Por Ricardo Flaitt

Emprestado junto ao Lyon da França até o meio deste ano, o zagueiro Anderson pediu dispensa do São Paulo. O pedido de liberação gerou um fato inusitado no atual cenário do futebol brasileiro diante da estrutura de primeiro mundo e a sequência de títulos do Tricolor, que projetou o clube como um sonho de consumo entre os jogadores.

Anderson retornava de um tratamento de lesão grave e, quando teve a oportunidade de ser titular, não jogou bem. Depois, ao longo do tempo foi retomando o ritmo, o tempo de jogo, e mostrou que tem totais condições de ser titular no São Paulo. Ao mesmo tempo em que Anderson se encontrava no elenco, a zaga titular consolidava-se com um novo trio de ferro: Rodrigo, André Dias e Miranda.

O futebol é cíclico, dinâmico. Agora o São Paulo praticamente não encontra uma solução para a renovação de Rodrigo junto ao Dínamo. Juninho, depois de uma passagem desastrosa, retorna ao Botafogo-RJ. Eis que surge uma nova chance para Anderson. Mas ele solicitou sua dispensa junto à diretoria...

Vale lembrar que André Dias soube esperar a sua vez e agora está colhendo os frutos, sendo, na minha opinião, o melhor jogador do São Paulo na temporada 2008. André Dias concorria com Lugano, Fabão, Miranda e Alex Silva. Não se precipitou e hoje é até cotado para atuar pela Seleção.

Anderson pode estar desperdiçando a oportunidade de se firmar no São Paulo e fazer ressurgir seu excelente futebol, num clube que figura, segundo o jornal Folha de São Paulo, em sexto lugar no ranking mundial de clubes.

Ricardo Flaitt é jornalista. Críticas e sugestões para ricardoflaitt@hotmail.com
Texto publicado no site www.tricolorpaulista.net

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Cinema: Fahrenheit 451


Um mundo sem livros

Por Ricardo Flaitt

Você conseguiria imaginar o mundo sem livros? Esse é o tema de Fahrenheit 451, de François Truffaut.

Num mundo futuro imaginário, as pessoas vivem sob um sistema totalitário, em que os livros são proibidos, pois, de acordo com o Estado, eles criam diferenças, geram desejos e frustrações nos seres humanos.

Há um diálogo no início do filme entre os personagens Guy Montag (Oskar Werner), um membro do Departamento Fahrenheit 451, responsável em encontrar e queimar os livros, e Clarisse (Julie Christie ), professora afastada pelo sistema e apaixonada por leitura.

Clarisse: Diga-me, esse número que vocês usam, o que significa? Por quê 451 e não 813 ou 121?
Montag: Fahrenheit 451 é a temperatura em que o papel dos livros incendeia e começa a queimar
Clarisse: Eu gostaria de lhe perguntar outra coisa, mas não ouso.
Montag: Vá em frente!
Clarisse: É verdade que há muito tempo os bombeiros apagavam incêndios em vez de queimarem livros?
(...)
Clarisse: Por quê queimar livros?
Montag: É um trabalho como qualquer outro. Bom trabalho, com muita variedade. Segunda queimamos Henry Miller; terça, Tolstoi; quarta, Walt Whitman; sexta, Faulkner e sábado e domingo Schopenhauer e Sartre. Queimamo-los até ficar cinza e depois queimamos as cinzas. É o nosso lema oficial. Os livros são apenas lixo. Não tem interesse nenhum.
Clarisse: Então, por que ainda há pessoas que os lêem sendo tão perigosos?
Montag: Precisamente, porque é proibido. Porque faz as pessoas ficarem infelizes.
Clarisse: Acredita nisso mesmo?
Montag: Sim. Livros perturbam as pessoas, tornam-as anti-sociais. (...)

O disciplinado membro da Fahrenheit 451, Montag, começa a entrar em crise existencial. Não vê mais sentido no seu trabalho. Responsável em queimar livros, passa a ter curiosidade para saber o que eles contêm de tão proibidos e perigosos. Montag leva um livro para casa. Ao lê-lo descobre um mundo mágico, distante da vida insossa, tecnicista e pragmática imposta pelo sistema.

A partir daí, Montag já não se enquadra mais no sistema. Entra em colapso e passa para o lado da resistência, até se juntar com os homens-livros. Imagem genial criada pelo diretor Truffaut da ligação do homem com a literatura, no sentido amplo.






Curiosidades – Os créditos iniciais do filme não são escritos, mas narrados, para antecipar o clima de leitura proibida. Nesse momento, são mostradas várias antenas de TV nas casas. Jean-Louis Richard e François Truffaut, baseado em livro de Ray Bradbury


Fahrenheit 451 (Inglaterra, 1966), direção François Truffaut. Jean-Louis Richard e François Truffaut, baseado em livro de Ray Bradbury. Música: Bernard HerrmanFicção. Elenco: Oskar Werner (Guy Montag), Julie Christie (Linda / Clarisse), Cyril Cusack (Capitão), Anton Diffring (Fabian), Anna Palk (Jackie). Cor. 112 min. Disponível em DVD.

Premiações: BAFTA 1967 (Reino Unido), Indicado na categoria de Melhor Atriz (Julie Christie), Festival de Veneza 1966 (Itália) e indicado ao prêmio Leão de Ouro.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Futebol: A diferença entre contratações e títulos

Por Ricardo Flaitt

Agora o assunto do momento no meio esportivo é a contratação de Ronaldo Fenômeno pelo Corinthians. Sem dúvida, uma grande contratação, com repercussão internacional e a promessa de solução para o ataque do Parque São Jorge.

Corinthianos estão em êxtase. Confesso que também considero um grande fato para o futebol brasileiro. Mas nem tudo são flores nessa contratação, que ao mesmo tempo é uma jogada de marketing.

É preciso deixar claro que Ronaldo não é a solução integral para o Corinthians. O São Paulo teve uma experiência negativa em 2008 ao contratar Adriano. Tinha tudo para arrebentar no São Paulo, mas seus problemas disciplinares (para não entrar em detalhes) pesaram mais que seus gols no Morumbi.

Ronaldo Fenômeno pode ter tirado os holofotes do hexacampeonato do Tricolor, mas, a verdade é que um grande time se consolida com títulos e não com contratações.

O São Paulo, com uma equipe mediana em sua maioria, conquistou o terceiro título nacional consecutivo e o sexto na história. Fato inédito, que o posiciona de forma soberana.

Deixando o fanatismo e a paixão de lado, a verdade é que a equipe do Parque São Jorge retorna da segundona do Brasileiro. Está montando um bom time, mas ainda não conquistou nada. Se elenco ganhasse título, sem dúvida, os “galáticos” do Real Madrid nem precisariam disputar campeonato, pois seriam campeões por antecipação.

Outra constatação lógica e serena, mesmo para os mais entusiastas: “Títulos valem mais que contratações”.

Texto publicado no site www.tricolorpaulista.net

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Futebol: O cavalo arriado de Richarlyson


Por Ricardo Flaitt

Tem um ditado em Minas Gerais que fala: “quando o cavalo passa ‘arriado’ a gente tem de montar”. A máxima cabe perfeitamente para Richarlyson, que vive um momento de instabilidade no Tricolor e terá uma nova chance na equipe titular no jogo decisivo frente ao Goiás.

Rickarlyson já demonstrou, durante o Brasileirão de 2007, que é um bom jogador, tanto que foi eleito o melhor volante do campeonato e chegou à Seleção Brasileira com um futebol de pegada na marcação, bom chute, moderno, polivalente, tático e de força.

Mas parece que a Seleção fez mal para Richarlyson. Depois que retornou, abusou das firulas, deixou de lado seu futebol força e foi decaindo até chegar ao banco de reservas. Parece não ter administrado bem em sua mente a convocação. Richarlyson é bom de bola, mas não é craque.

Há que se considerar também que outros estão surgindo, como é o caso do garoto Jean, que atualmente domina o meio-campo ao lado de Hernanes. Eis que surge uma nova oportunidade para demonstrar mais uma vez seu futebol.

A torcida do São Paulo também precisa ser mais tolerante com Richarlyson e considerar o que ele já fez pelo Tricolor. Se esperaram mais de um ano para que o futebol de Dagoberto emergisse, porque não dar mais uma chance para Richarlyson?

O cavalo está passando arriado mais uma vez, agora cabe a Richarlyson suar a camisa e provar que tem espaço no Tricolor e conquistarmos o hexacampeonato.