quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Cinema: Cleópatra (1963)


O império de areia

Por Ricardo Flaitt

Considerado o filme mais caro da história do cinema (em torno de U$$ 270 milhões atuais), Cleópatra não poderia ter outra classificação senão épico. Tudo é grandioso: cenários, figurinos, interpretações, produção, fotografia, elenco, trilha sonora, etc.

Vencedor de quatro Oscar e indicado em mais cinco categorias, o filme mostra a história de Cleópatra, uma das mulheres mais poderosas do mundo antigo, interpretada magistralmente pela belíssima Elizabeth Taylor. Além da biografia da rainha o filme narra a história dos feitos de Roma, as relações com outras nações, as decisões do senado. O modo de vida da população é deixado de lado. O enfoque se dá nos principais líderes de Roma e do Egito.

Roma depende do Egito para o fornecimento de grãos. Deste modo, Júlio César (Rex Harrison) vai ao Egito para resolver uma briga interna entre Cleópatra (Elizabeth Taylor) e seu irmão, que tenta assumir o poder. César recoloca Cleópatra no trono, assegura o fornecimento de grãos e acaba apaixonando-se pela rainha. Da união nasce Cesário, verdadeiro herdeiro de dois mundos.

Os romanos não aceitam o casamento entre Júlio César e Cleópatra. Ao retornar à Roma, César é assassinado no Senado. Dividida em regiões, agora. Roma é comandada por Otávio (Roddy MacDowall), que se intitula o novo César, enquanto Marco Antônio comanda outros domínios do Império.

Mas eis que acontece uma nova reviravolta. Marco Antônio, em visita diplomática ao Egito, também se apaixona por Cleópatra. Casa-se e, com isso, gera um novo impasse com Roma. Manipulado pela inteligente e ambiciosa Cleópatra, Marco Antônio se indispõe com Roma.

São quatro horas de filme que mostram a vida de Cleópatra e o jogo político na antiguidade. A alternância de poder, o jogo de interesses, os bastidores, as articulações para se preservar no poder e os respectivos métodos. Sem dúvida um filme que além de revelar a vida da época, mostra como se operava a política entre os líderes de um povo.

Cleópatra é muito mais do que uma cinebiografia é uma obra reveladora do ponto de vista histórico, pois os procedimentos políticos da antiguidade não são muito diferentes dos aplicados atualmente, o que determina a condição de clássico.

Curiosidades - Cleópatra é o filme mais caro de todos os tempos. Na época de sua realização sua produção custou US$ 44 milhões. Se esta quantia fosse reajustada até em relação ao dólar em 1999, o filme custaria na verdade US$ 270 milhões. - Durante Cleópatra, Elizabeth Taylor trocou de figurino 65 vezes, sendo até hoje um recorde para um filme feito para o cinema. - Elizabeth Taylor foi o 1ª intérprete de Hollywood a receber US$ 1 milhão por um único filme, por sua participação em Cleópatra

Premiações - Ganhou 4 Oscars, nas seguintes categorias: Melhores Efeitos Especiais, Melhor Fotografia - Colorido, Melhor Figurino - Colorido e Melhor Direção de Arte - Colorido. Foi ainda indicado em outras 5 categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (Rex Harrison), Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora e Melhor Som.

Cleópatra (Cleopatra, 1963), direção de Joseph L. Mankiewicz. Elenco: Elizabeth Taylor (Cleópatra), Richard Burton (Marco Antônio), Rex Harrison (Júlio César), Pamela Brown (Alta Sacerdotisa), George Cole (Flavius), Hume Cronyn (Sosigenes), Cesar Danova (Apollodorus) e Kenneth Haigh (Brutus). Fotografia: Leon Shamroy. Música: Alex North. Figurino: Vittorio Nino Novarese, Renié e Irene Sharaff. Edição: Dorothy Spencer. Roteiro: Sidney Buchman, Ranald MacDougall e Joseph L. Mankiewicz, baseado em livro de Carlo Mario Franzero

Ricardo Flaitt é jornalista. Críticas e sugestões para ricardoflaitt@hotmail.com


Texto publicado no jornal Guarulhos Hoje

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