sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Filme: Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore


O poder e a magia do Cinema

Por Ricardo Flaitt

Quem nunca se emocionou ao assistir um filme? Quem não se recorda dos filmes que marcaram nossa infância? O cinema tem esse poder de nos fazer refletir sobre as nossas vidas. Segundo o crítico Edmar Pereira, “o cinema tem a capacidade nos faz conjugar infinitos verbos”.

Cinema Paradiso narra a história do consagrado cineasta Salvatore (Jacques Perrin) que recebe o telefone de sua mãe, comunicando que o projecionista Alfredo morreu. A morte de Alfredo desencadeia as lembranças de infância no diretor...

E são as memórias de infância de Salvatore que serão projetadas em Cinema Paradiso. O consagrado diretor relembra o tempo em que era simplesmente o menino Toto (Salvatore Cascio), morador de uma cidadezinha da Sicília (Itália), que teve sua vida transformada ao conhecer o projecionista do único cinema da cidade, Alfredo, intepretado por Phillip Noiret.

Toto conhece o cinema com Alfredo. Estabelecem uma grande amizade em que o cinema e a vida se entrelaçavam. Giuseppe Tornatore mostra todo o encanto, os personagens folclóricos e a vida nas cidadezinhas, num tempo em que não havia televisão e o cinema era a atração da cidade.

Uma das cenas mais linda da história do cinema é o momento em que Alfredo projeta o filme num paredão de uma casa, para que todos que ficaram de fora também possam ver ao filme.

Vi Cinema Paradiso pela primeira vez ao lado de meu pai (João Flaitt), hoje com 70 anos, e que quando menino e adolescente, também trabalhou num cinema na cidade de Itapeva. E emocionei-me ao vê-lo, com lágrimas nos olhos, ao emergirem suas lembranças dos tempos de menino. Hoje entendo que não é à-toa que amo tanto cinema...

Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore, que era para ser uma triste história sobre os fechamentos das salas tradicionais de exibição acabou se tornando uma das maiores obras sobre o poder e a magia do cinema. Lírico e emocionante. Sem dúvida está entre os melhores filmes já realizados.

Curiosidades – Fracasso na Itália, Cinema Paradiso ganhou o mundo e os corações das pessoas. Salvatore Cascio, o menino Toto, foi escolhido entre as crianças da região em que as filmagens aconteceram. O fato de ter o mesmo nome e apelido do personagem chamou a atenção do diretor. Mas o que lhe rendeu o papel foi ter decorado todas as falas e marcações de uma cena durante os testes.

Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso 1990), direção e roteiro de Giuseppe Tornatores. Drama. Elenco: Antonella Attiu, Enzo Cannavale, Leo Gulotta, Marco Leonardi, Puppella Maggio, Agnese Nasso, Leopoldo Trieste, Salvatore Cascio, Jacques Perrin e Phillipe Noiret. Música de Ennio Morricone.Colorido, 123 min.

Premiações: Ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, empatado com Linda Demais Para Você e o prêmio de Melhor Pôster no César.

Veja também outros filmes do diretor Giuseppe Tornatore: Estamos todos Bem (1989), A lenda do pianista do mar (1998), O homem das estrelas (1995) e Maleña (2000).

Publicado no jornal Guarulhos Hoje, dia 28 de novembro de 2008
http://www.guarulhosweb.com.br/

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Futebol - SPFC x Flu: muito mais do que a consagração do hexa

Próximo domingo o São Paulo reencontrará o tricolor das Laranjeiras para mais uma partida decisiva. O confronto, de certa forma, e uma extensão daquela partida em que o São Paulo perdeu para o Fluminense no último minuto de jogo em confronto pela Libertadores da América.

Evidente que são dois momentos diferentes, mas que não deixam de ser decisivos para os dois clubes. Agora o São Paulo depende da vitória para sagrar-se hexacampeão brasileiro, enquanto o Fluminense, após a tragédia do Maracanã, ao perder o título da Libertadores em casa, luta para se afastar da zona de rebaixamento no Brasileirão.

Pode o São Paulo não declarar oficialmente que não há revanchismo nessa partida, mas a verdade é que nenhum torcedor são-paulino digeriu aquela derrota pela Libertadores. E nenhum jogador também. Agora o jogo frente ao Fluminense, além de valer o hexa também estará em jogo uma resposta por aquela derrota.

Com o Morumbi completamente lotado e com a chance de ser o primeiro hexacampeão do Brasil, sem dúvida, essa partida terá um sabor a mais: pelo hexa e pela derrota na Libertadores.

Texto publicado no site www.tricolorpaulista.net

Futebol: O hexa ainda não está ganho

Ao contrário do que ecoa nas mesas dos bares e nas conversas nas arquibancadas, o São Paulo ainda não conquistou o hexa. Tenho consciência que muitos leitores irão me apedrejar com esse texto, dizendo que sou pessimista, mas, se analisarmos com calma, sem euforia, constataremos que ainda é preciso suar muito a camisa para o título.

Temos que ser realistas, pois ainda faltam três jogos para a conquista do hexa. E sejamos sinceros, pelo contexto, serão três pedreiras.

Primeiro frente ao Vasco, em São Januário, que joga em casa e luta desesperadamente para não cair para a segunda divisão. É evidente que, no papel, o time do Vasco nem se compara ao do São Paulo, mas a situação, com todos os holofotes focados nesse jogo criaram um clima especial para a partida. O São Paulo busca o hexa e o Vasco busca a redenção perante sua torcida.

Depois tricolor enfrentará o Fluminense, no Morumbi. Outro jogo dificílimo. O Fluminense também luta contra o rebaixamento e quer provar a todo custo à sua torcida que não morreu depois da perda da Libertadores. E há que se considerar que, assim como o Vasco, é um time de tradição, tem camisa, e frente ao São Paulo terá a oportunidade de reverter a imagem negativa.

Por fim encaremos o Goiás fora de casa. Outro jogo que não será nada fácil. Há que se refrescar a memória que o Goiás enfiou três a zero no Cruzeiro, quando o time mineiro estava na luta direta pelo título.

O hexa não está ganho. Temos que evitar o clima de euforia, para não acontecer tragédias a exemplo do Flamengo na Libertadores, quando perdeu de três para os mexicanos em pleno Maracanã, vítima do “já ganhou”, de um entusiasmo que ofuscou a dura realidade e a falta de lógica que sempre acompanhou o futebol.

Texto publicado no site http://www.tricolorpaulista.net/

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Cinema: Queimada, de Gillo Pontecorvo

Uma aula de política

Por Ricardo Flaitt, com a colaboração do sociólogo Marco Antonio Mota

“Queimada é uma das centenas de Ilhas das Antilhas. O nome Queimada deve-se ao fato dos portugueses terem de queimar a ilha para vencer a resistência dos índios. Quase todos os nativos foram mortos. Trouxeram então escravos da África para trabalhar nos canaviais”. A bordo de um navio, um tripulante explica ao diplomata inglês, Willian Walker (Marlon Brando) as características da ilha. Assim começa Queimada, filme de Gillo Pontecorvo.

Todos os movimentos do homem são muito bem pesados e medidos. Não existe nada aleatório no jogo político mundial. Willian Walker (Marlon Brando) chega à Queimada com a missão de mudar a ordem do poder local, quebrar o monopólio português sobre a cana-de-açúcar para atender aos interesses da Coroa Inglesa. Mas como promover a ordem estabelecida em Queimada? Para isso, Walker (Brando) tem de encontrar/forjar um líder entre a população para deflagrar a revolução.

Willian vê essa possibilidade no escravo José Dolores (Evaristo Marquez). Assim incita seus anseios de liberdade levando-o à condição de revolucionário. Com o discurso de que sua intenção é acabar com a exploração dos negros, Walker manipula José Dolores e sua liderança para alcançar os interesses econômicos liberais da Inglaterra. Hábil, astuto, maquiavélico, Walker une dois interesses: o anseio dos negros para se libertarem e, ao mesmo tempo, a mudança do centro do poder da ilha.

Com José Dolores consolida a revolução. Os negros depõem o governo, mas o ex-escravo descobre que não seria ele o governante do país. Indignado, assume o poder à força.

Mas seu “mandato” não dura muito, pois governar não é tão simples como os sonhos dos românticos e dos idealistas. Willian Walker (Brando) questiona o então presidente de Queimada, José Dolores: “Quem serão seus ministros? Com quem você irá negociar?...”. Ou seja, como comandar o País e seus inúmeros interesses que permeiam? Com olhar perplexo, Dolores se vê perdido, sem a dimensão de que governar é preciso muito preparo.

Em outro diálogo carregado de ironia, Walker fala a Dolores: “A civilização é muito complicada”. Diante desse impasse, Dolores resolve fazer um pacto. Concorda que o país seja governado por outro representante, desde que sejam feitas algumas mudanças, como a libertação dos escravos.

Após nove anos, Willian Walker (Brando) retorna à Queimada, que vive sob uma ditadura. Dolores já não estava no poder e voltara a ser um revolucionário. Mas agora Walker não está mais “precisando” de Dolores, uma vez que os que estão no poder obedecem à “Rainha”. A resistência de Dolores precisa ser eliminada. Dolores precisa ser morto e passa a ser caçado como inimigo do Estado.

Cabe aqui perfeitamente uma declaração de Maquiavel: “Os homens mudam de governantes com grande facilidade, esperando sempre uma melhoria. Essa esperança os leva a se levantar em armas contra os atuais. E isto é um engano, pois a experiência demonstra mais tarde que a mudança foi para pior”.

Os governantes fazem com que o povo acredite que eles ocuparão o poder e terão oportunidade de decidir seus destinos, mas, ao final, constata-se, no círculo vicioso da História, que o povo, ainda que sob uma nova roupagem, continua a ser “massa de manobra” daqueles que detém o capital e o conhecimento, já que o saber também é uma forma de poder.

Queimada é uma aula de política, envolve temas sobre um determinado período da História (inclusive do Brasil) e a relação do homem e seus interesses. Essencial para se entender os mecanismos do mundo. Queimada não tem a pretensão enfadonha de narrar uma história romântica dos oprimidos. É um grande filme porque mostra como o funciona o mundo. Não defende opressores nem oprimidos, mas mostra com inteligência como as coisas operam na política, com todos os seus jogos e interesses.

Curiosidades – No filme, Queimada é uma ilha portuguesa, mas a verdade é foi rodado na Colômbia. Outro ponto é que Portugal não colonizou nada nas Antilhas e, num diálogo, Brando explicou erroneamente: "Você sabe que Portugal e Inglaterra são inimigos tradicionais" (isso acontecia com a Espanha, Portugal sempre foi aliado da Inglaterra).

Evaristo Marquez, que interpretou José Dolores nunca tinha sido ator e muito menos tinha visto um filme no cinema.

Queimada (Burn!, 1968), de Gillo Pontecorvo. Drama. Elenco: Marlon Brando, Renato Salvatori, Norman Hill, Evaristo Marquez, Tom Lyons. Música de Ennio Morricone.Colorido, 132 min.

Veja também outros filmes do diretor Gillo Pontecorvo: A Batalha de Argel (1966) e Kapò (1959).

Ricardo Flaitt é assessor de imprensa da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo e colunista do site www.tricolorpaulista.net. Dicas e sugestões para: ricardoflaitt@hotmail.com

Texto publicado no jornal Guarulhos Hoje, 14 de novembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

TricolorPaulista.net: Avaliações SPFC x Portuguesa


São Paulo vence a Lusa e dá mais um passo para o hexa
Rogério Ceni – Defendeu uma pancada de Edno da Portuguesa numa cobrança de falta. Fez outras boas defesas e contou com a sorte ao ver outro bola de Edno parar no travessão. Nota 7,0

André Dias – Falhou frente a Portugusa. Levou um drible de Jonas que originou o gol da Lusa. Mas tem muito crédito. Durante esse campeonato é o verdadeiro xerife da defesa tricolor. Nota 4,0

Miranda – Colou em Edno. Seguro nas jogadas. Nota 6,5

Rodrigo – Firme. Nota 7,0

Joílson – Atuando como ala-direito, não apoiou muito, pois tinha a missão de segurar Athirson, da Lusa. Deu conta do recado. Nota 6,5

Éder Luís – Entrou no final e nada fez. Nota 5,0

Zé Luís – Retomou sua posição de origem, o meio-campo. Marcou forte, não deu espaços e foi coroado com o gol da vitória. Nota 8,0

Jean – Recuado não apoiou como nas outras partidas, mas foi regular. Nota 6,0

Jorge Wagner – Não foi tão participativo como nas outras partidas, mas sua principal arma foi acionada. Em bola parada, deu origem à jogada do primeiro gol tricolor. Nota 6,0

Hernanes – Jogou muito. Marcou, armou e criou boas jogadas para o ataque. Agora sim é o Hernanes que arrebentou no Brasileirão do ano passado e que chegou à Seleção. Nota 7,5

Dagoberto – A mesma garra de sempre, incansável, correu o tempo todo e ajudou na marcação. Marcado, não aparecia muito, mas fez uma excelente jogada com Borges, que originou o segundo gol, provando mais uma vez que forma uma dupla excelente com Borges. Nota 7,0

Richarlyson – Entrou faltando três minutos. Não deu tempo para fazer nada. Aproveito para fazer algumas considerações: muitos torcedores já estão falando que Richarlyson não cabe mais no São Paulo. Eu não penso assim, pois é muito bom jogador, apresenta um futebol moderno e versátil, pegador, de forte marcação e com um bom chute. Jogou muita bola no Brasileirão do ano passado, porém, caiu depois que foi para a Seleção. Mas a torcida não pode esquecer o que Ricky já fez pelo São Paulo. Nota 5,0

Borges – Artilheiro. Já mostrava seu poder de força desde o Campeonato Paulista. Perdeu espaço com a chegada de Adriano, mas soube esperar outra oportunidade. Joga muita bola, tem faro de gol e é decisivo. Joga para o time, correu muito, inferniza a defesa adversária e forma uma excelente dupla com Dagol. O que falta era Muricy dar uma seqüência de jogos para os dois. O resultado está aparecendo. Nota 8,5

Muricy – Com a suspensão de Hugo, deslocou acertadamente Zé Luís no meio-campo (onde seu futebol aparece de verdade) e Joílson pela ala-direita, para conter os avanços de Athirson, na ala-esquerda da Lusa. Apostou mais uma vez na dupla Dagol-Borges e a seqüência de jogos provou que eles darão muito o que falar. Sem grandes craques, Muricy montou um time com força de marcação, disciplinado taticamente e que mantém a regularidade. Nota 8,0

Participe das avaliações, envie críticas e sugestões para: ricardoflaitt@hotmail.com


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Cinema: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

As pequenas grandes coisas da vida

Por Ricardo Flaitt

A vida compõe-se e revela-se em sua plenitude nos pequenos gestos, nos pequenos atos, em pequenos momentos que se entrelaçam em meio ao turbilhão mecânico do cotidiano.

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain narra a história de uma menina que desenvolve uma sensibilidade enorme pelo fato de viver sempre isolada das pessoas. Esse distanciamento estabeleceu uma relação diferente com as coisas e os seres, desenvolveu um jeito especial dela enxergar e lidar com o mundo.
Amélie (Audrey Tautou) leva uma vida aparentemente insossa. Sem namorado, sem amigos, com um pai indiferente e uma mãe neurótica, trabalha como garçonete ao lado de pessoas comuns, com seus problemas rotineiros, neuras, carências e decepções.
Mas a vida de Amélie rompe a monotonia ao encontrar uma caixinha atrás do azulejo do seu banheiro, contendo “pequenas” lembranças de um menino que morara lá por volta de 1950. Diante disso, resolve encontrar esse menino, agora já um homem, para lhe entregar seu tesouro de infância.
A reação do homem ao encontrar a caixinha com suas recordações desencadeia em Amélie uma nova percepção e um novo sentido para sua vida.

Amélie sente que pode ajudar também as pessoas a “quebrarem” o ritmo insosso e insano do cotidiano. Com essa nova relação com o mundo, acaba expandido seu universo particular e descobre o Amor. Amélie apaixona-se pelo jovem Nino Quincampoix (Mathieu Kassovitz ), que também possui uma vida à margem do que é estabelecido como certo nesse mundo mercadológico.

Ao mesmo tempo em que encontro gera um sentido para sua vida, tenta também com que todos ao seu redor quebrem a rotina e encontrem a felicidade.

Numa fronteira entre o conto de fadas e a realidade, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, embalado pela excelente trilha sonora de Yann Thiersen, revela que o valor da vida está nas pequenas grandes coisas do cotidiano. Um filme para ver e rever ao longo da vida...

Prêmios - Recebeu 5 indicações ao Oscar, nas seguintes categorias: Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Som e Melhor Roteiro Original. Recebeu uma indicação ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Recebeu 13 indicações ao César, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Audrey Tautou), Melhor Ator Coadjuvante (Rufus e James Debbouze), Melhor Atriz Coadjuvante (Isabelle Nanty), Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Desenho de Produção, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som e Melhor Roteiro.

Curiosidades - O namorado de Amelie no filme é, na vida real, o diretor de cinema Mathieu Kassovitz, autor do ótimo filme O Ódio (La Haine, 1995), que narra a história de três imigrantes tentando sobreviver numa Paris racista.

Os tons verdes, vermelhos e azuis que predominam e dão um ar ainda mais de fábula ao filme. Os tons são inspirados na obra do artista plástico brasileiro Juarez Machado.

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d´Amélie Poulain, 2001), de Jean-Pierre Jeunet. Comédia/Romance – Colorido – 122 min.

Veja também outros filmes de Jean-Pierre Jeunet – Delicatessen (1991) e Ladrão de Sonhos (1995).

Ricardo Flaitt é jornalista. Dicas e sugestões para: ricardoflaitt@hotmail.com

Publicada no jornal Guarulhos Hoje, dia 07 de novembro de 2008

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Moby Dick: ódio e obsessão


Por Ricardo Flaitt

A versão cinematográfica de John Huston para o clássico de Moby Dick é um dos casos em que a adaptação pode ser considerada tão boa quanto a obra original. Huston conseguiu captar em imagens a grandiosidade da obra de Herman Melville (1819-1891).

Narrado em primeira pessoa, história de Moby Dick é contada por Ishmael (Richard Basehart), marinheiro que busca uma nova aventura na cidade portuária. Lá, encontra um navio baleeiro, o Pequod, da cidade de Natucket, o Pequod, que partia em direção ao Oceano Pacífico.

Huston preservou o texto literário, reproduziu diálogos inteiros de forma natural. Transpôs para as telas o peso da luta épica entre o homem (Ahab) e a natureza (Moby Dick), sem que a história perdesse seu espírito de aventura, de entretenimento.

O navio era capitaneado por Ahab (Gregory Peck), que foi vítima de um cachalote branco, imenso, que numa batalha arrancou-lhe a perna. A partir desse confronto, Ahab fez de Moby Dick o motivo da redenção de sua vida. Deixou todos os interesses econômicos de lado e fez da viagem a sua busca por Moby Dick: que se tornou uma obsessão, sua luta insana, auto-destrutiva e até redentora.

Genial como John Huston conseguiu recriar a atmosfera momentos antes de Ahab se deparar com Moby Dick. Sem vento, como se o mundo entrasse num vácuo de tempo.

Moby Dick consegue ser um clássico de aventura e também uma viagem ao universo do homem perante as forças da natureza.

Curiosidades – Orson Wells, diretor de “Cidadão Kane”, considerado o melhor filme de todos os tempos, faz uma ponta como o Padre Mapple, que seleciona e abençoa os marujos do navio Pequod.

O barco usado pelo Capitão Ahab e sua tripulação neste filme é o mesmo do clássico da Disney “A Ilha do Tesouro”. Ele passou por uma completa reforma para aparecer nesse filme.

MOBY DICK (Moby Dick, 1956), de John Huston. Inglaterra – Aventura/Clássico – cor – 115 min. Disponível em DVD.

Elenco: Gregory Peck, Orson Welles, Richard Basehart, Leo Genn, James Robertson Justice, Harry Andrews, Friedrich Ledebur, Bernard Miles, Edric Connor, Noel Purcell, Mervyn Johns, Joseph Tomelty

Ricardo Flaitt é jornalista. Envie críticas e sugestões para: ricardoflaitt@hotmail.com

Texto publicado no jornal Guarulhos Hoje.

São Paulo goleia o Inter e consolida-se como líder isolado

Rogério Ceni – Foi pouco exigido, mas executou duas extraordinárias defesas. Nota 7,0

André Dias – Manteve a regularidade das últimas partidas. Um pilar da defesa Tricolor. Mostrou muita raça e determinação. Nota 7,0

Miranda – Não deu espaço para o ataque colorado. Marcou forte, com muita disposição e precisão. Nota 7,0

Rodrigo – Encaixou-se perfeitamente ao lado de Miranda e André Dias. Chegou forte e não deu espaços. Nota 7,0

Juninho – Entrou no lugar de Rodrigo, que saiu machucado. Não teve tempo para mostrar nada. Nota 5,0

Zé Luís – Jogando pela ala-direita, que não é sua função, não comprometeu, mas também não conseguiu ser uma boa opção. Errou muito. Depois, com a entrada de Jancarlos, foi para o meio-campo, que é seu lugar de fato. Nota 5,5

Jean – Tinha uma função específica em campo: marcar Alex individualmente. E deu conta do recado. Anulou o camisa 10 do colorado. Correu, lutou, compôs e meio e ligou o meio ao ataque com qualidade. Nota 7,0

Jorge Wagner – Excelente partida. Atuando pela ala-esquerda e também caindo para o meio-campo. Marcou duro, participou do jogo, criou perigo pela esquerda, arriscou chutes. É o Jorge Wagner que todo tricolor espera. Nota 7,5

Hernanes – Retomou seu futebol. Forma uma bela dupla de meio-campo ao lado de Jean. Os dois parecem que já jogam há tempos. Hernanes marcou bem, apoiou e criou jogadas. Nota 7,0

Hugo – Não aparecia muito no jogo, pois jogava mais para o time. Ajudava na marcação e criou algumas jogadas. Mais uma vez deixou o dele para calar nossas críticas e deixar claro que tem uma função não tão nobre, mas importante para o conjunto. Nota 7,5

Dagoberto – Um monstro em campo. Correu muito, infernizou a defesa colorada, ajudou muito na marcação. Jogou com raça e marcou um golaço. Digno dos velhos tempos de Dagoberto. Só uma crítica: ao final do jogo, deu uma declaração ressentida à rádio Transamérica, dizendo que a imprensa o critica muito. Mas sejamos honestos e justos, Dagoberto não vinha jogando nada. Alternava partidas horríveis e, de vez em quando, tinha uma boa atuação. Sabemos que está lutando para melhorar, mas também não podemos elogiar só pelo esforço. E Dagoberto não pode reclamar, pois está há um tempão no São Paulo, conta com a tolerância da torcida e da Diretoria. Frente ao Colorado foi muito bem. Agora tem de manter. Nota 9,0

Jancarlos – Entrou no lugar de Dagoberto. Com isso, ocupou a ala-direita e fez com que Zé Luís ajudasse na marcação do meio-campo. Não teve muito tempo para mostrar seu futebol. Nota 5,5

Borges – Acredito muito na dupla Borges-Dagoberto. E ontem foram muito bem. Precisavam de uma seqüência de jogos. Rápidos, deram canseira para a defesa do Inter. Borges meteu uma bola na trave e deixou o dele, abrindo o placar. Nota 8,0

André Lima – Entrou no lugar de Borges. Sem tempo para mostrar alguma coisa. Nota 5,0

Muricy – Foi bem ao apostar novamente na dupla Borges-Dagoberto. Mais uma vez montou um esquema compacto, com Jorge Wagner e Hugo chegando ao ataque. Segue para o oitavo título consecutivo em oito anos. Nota 8,0

Participe das avaliações, envie críticas e sugestões para: ricardoflaitt@hotmail.com