sábado, 25 de outubro de 2008

O Último Tango em Paris: o Amor além dos valores sociais


O Último Tango em Paris: o Amor além dos valores sociais

Por Ricardo Flaitt

Seria o Amor uma mera invenção do homem? Mas o que representa esse sentimento além dos valores atribuídos e incorporados pela sociedade? Esses são os temas que entrelaçam uma história aparentemente simples, mas que questiona um dos principais sentimentos humanos.

Em O Último Tango em Paris, Bertolucci revela o Amor e seus dramas, sem rótulos, o Amor incondicional, com suas dores e a eterna incompreensão desse sentimento tão real e ao mesmo tempo tão abstrato.

Marlon Brando interpreta Paul, um americano de meia-idade que vê sua vida ruir com o suicídio da mulher. Ao caminhar pelas ruas de Paris encontra uma jovem parisiense, a qual terá viverá uma paixão imensa por três dias.

A vida dos personagens principais (Jeanne e Paul) se realiza num quarto sem mobília. Sem se conhecerem, envolvem-se intensamente e iniciam uma verdadeira reconciliação de si mesmos através do sexo, de forma mais instintiva possível. Ali, sem estipular regras, sem estabelecer qualquer contato com o mundo lá fora, desnudam a si e ao mundo. Constroem um mundo distante dos padrões sociais, onde impera os sentidos e desconstroem-se perante o mundo.

Para que os instintos sobreponham às regras sociais eles estabelecem entre quatro paredes que a única regra é não falar nada sobre as vidas pessoais No segundo encontro, Jeanne (interpretada por Maria Schneider) diz: “é lindo não saber de nada!”. Chegando ao extremo, substituem os próprios nomes por grunhidos. Assim subvertem o mundo, seus significados e os fetiches por uma vida onde o instinto sobrepõe. Talvez o verdadeiro mundo, onde as sensações prevalecem sobre os valores instituídos pela sociedade.

Numa cena marcante para o cinema e que ficará gravada na mente de muitas gerações, a jovem Jeanne em diálogo com Paul: “Vou falar-lhe de segredos de família, essa sagrada instituição que pretende incutir virtude em selvagens. Repita o que vou dizer: sagrada família, teto de bons cidadãos. Diga! As crianças são torturadas até mentirem. A vontade é esmagada pela repressão. A liberdade é assassinada pelo egoísmo."

Bertolucci tinha apenas 32 anos quando dirigiu O Último Tango em Paris. Sem dúvida, uma obra-prima do cinema, madura, reveladora, provocadora e que nos faz repensar todos os nossos valores.

Curiosidades - Marlon Brando não usava maquiagem e praticamente improvisou todas as suas falas, fazendo com que o personagem se confundisse com o ator real. Lançado em 1972, teve sua exibição proibida no Brasil até 1979.

O Último Tango em Paris (Last tango in Paris, 1972), de Bernardo Bertolucci. Franca/Itália – Drama – cor – 130 min. Disponível em DVD.

Ricardo Flaitt é jornalista. Envie dicas e sugestões para: ricardoflaitt@hotmail.com
(Texto publicado dia 24 de outubro de 2008 no jornal Guarulhos Hoje)

2 comentários:

Tati Abrão disse...

olá, querido!
Adorei o blog!
bjo!

Carina Baptista disse...

Olá Benzinho,
Deixo aqui os meus parabéns pelo curioso Mundo de Flaitt e também para ressaltar seu poder ao trazer de volta minhas velhas lembranças através de desse belo comentário.
Posso até descrever minhas longas tardes no sofá de casa nos tempos em que vídeo cassete era a sensação; Desde que o mundo é mundo somos tendênciados a desvendar os mistérios do amor através dos relacionamentos supostamente ditos pela sociedade, o qual correto seria namorar, noivar e casar.
Na época que assisti achei um absurdo tantas cenas explícitas para um filme de Drama indicado pela locadora como " café com leite " eu era uma menina! ! (rs)
Mas mesmo assim achei fantástico este poder de persuasão das personagens hoje podendo recordar tenho um outro entendimento, a crítica foi perfeita.
O Blog esta show!

Dê sua fã de hoje e sempre !!
Carina Baptista.

Beijos.