
Um mundo sem livros
Por Ricardo Flaitt
Você conseguiria imaginar o mundo sem livros? Esse é o tema de Fahrenheit 451, de François Truffaut.
Num mundo futuro imaginário, as pessoas vivem sob um sistema totalitário, em que os livros são proibidos, pois, de acordo com o Estado, eles criam diferenças, geram desejos e frustrações nos seres humanos.
Há um diálogo no início do filme entre os personagens Guy Montag (Oskar Werner), um membro do Departamento Fahrenheit 451, responsável em encontrar e queimar os livros, e Clarisse (Julie Christie ), professora afastada pelo sistema e apaixonada por leitura.
Clarisse: Diga-me, esse número que vocês usam, o que significa? Por quê 451 e não 813 ou 121?
Montag: Fahrenheit 451 é a temperatura em que o papel dos livros incendeia e começa a queimar
Clarisse: Eu gostaria de lhe perguntar outra coisa, mas não ouso.
Montag: Vá em frente!
Clarisse: É verdade que há muito tempo os bombeiros apagavam incêndios em vez de queimarem livros?
(...)
Clarisse: Por quê queimar livros?
Montag: É um trabalho como qualquer outro. Bom trabalho, com muita variedade. Segunda queimamos Henry Miller; terça, Tolstoi; quarta, Walt Whitman; sexta, Faulkner e sábado e domingo Schopenhauer e Sartre. Queimamo-los até ficar cinza e depois queimamos as cinzas. É o nosso lema oficial. Os livros são apenas lixo. Não tem interesse nenhum.
Clarisse: Então, por que ainda há pessoas que os lêem sendo tão perigosos?
Montag: Precisamente, porque é proibido. Porque faz as pessoas ficarem infelizes.
Clarisse: Acredita nisso mesmo?
Montag: Sim. Livros perturbam as pessoas, tornam-as anti-sociais. (...)
O disciplinado membro da Fahrenheit 451, Montag, começa a entrar em crise existencial. Não vê mais sentido no seu trabalho. Responsável em queimar livros, passa a ter curiosidade para saber o que eles contêm de tão proibidos e perigosos. Montag leva um livro para casa. Ao lê-lo descobre um mundo mágico, distante da vida insossa, tecnicista e pragmática imposta pelo sistema.
A partir daí, Montag já não se enquadra mais no sistema. Entra em colapso e passa para o lado da resistência, até se juntar com os homens-livros. Imagem genial criada pelo diretor Truffaut da ligação do homem com a literatura, no sentido amplo.
Curiosidades – Os créditos iniciais do filme não são escritos, mas narrados, para antecipar o clima de leitura proibida. Nesse momento, são mostradas várias antenas de TV nas casas. Jean-Louis Richard e François Truffaut, baseado em livro de Ray Bradbury
Fahrenheit 451 (Inglaterra, 1966), direção François Truffaut. Jean-Louis Richard e François Truffaut, baseado em livro de Ray Bradbury. Música: Bernard HerrmanFicção. Elenco: Oskar Werner (Guy Montag), Julie Christie (Linda / Clarisse), Cyril Cusack (Capitão), Anton Diffring (Fabian), Anna Palk (Jackie). Cor. 112 min. Disponível em DVD.
Premiações: BAFTA 1967 (Reino Unido), Indicado na categoria de Melhor Atriz (Julie Christie), Festival de Veneza 1966 (Itália) e indicado ao prêmio Leão de Ouro.
Por Ricardo Flaitt
Você conseguiria imaginar o mundo sem livros? Esse é o tema de Fahrenheit 451, de François Truffaut.
Num mundo futuro imaginário, as pessoas vivem sob um sistema totalitário, em que os livros são proibidos, pois, de acordo com o Estado, eles criam diferenças, geram desejos e frustrações nos seres humanos.
Há um diálogo no início do filme entre os personagens Guy Montag (Oskar Werner), um membro do Departamento Fahrenheit 451, responsável em encontrar e queimar os livros, e Clarisse (Julie Christie ), professora afastada pelo sistema e apaixonada por leitura.
Clarisse: Diga-me, esse número que vocês usam, o que significa? Por quê 451 e não 813 ou 121?
Montag: Fahrenheit 451 é a temperatura em que o papel dos livros incendeia e começa a queimar
Clarisse: Eu gostaria de lhe perguntar outra coisa, mas não ouso.
Montag: Vá em frente!
Clarisse: É verdade que há muito tempo os bombeiros apagavam incêndios em vez de queimarem livros?
(...)
Clarisse: Por quê queimar livros?
Montag: É um trabalho como qualquer outro. Bom trabalho, com muita variedade. Segunda queimamos Henry Miller; terça, Tolstoi; quarta, Walt Whitman; sexta, Faulkner e sábado e domingo Schopenhauer e Sartre. Queimamo-los até ficar cinza e depois queimamos as cinzas. É o nosso lema oficial. Os livros são apenas lixo. Não tem interesse nenhum.
Clarisse: Então, por que ainda há pessoas que os lêem sendo tão perigosos?
Montag: Precisamente, porque é proibido. Porque faz as pessoas ficarem infelizes.
Clarisse: Acredita nisso mesmo?
Montag: Sim. Livros perturbam as pessoas, tornam-as anti-sociais. (...)
O disciplinado membro da Fahrenheit 451, Montag, começa a entrar em crise existencial. Não vê mais sentido no seu trabalho. Responsável em queimar livros, passa a ter curiosidade para saber o que eles contêm de tão proibidos e perigosos. Montag leva um livro para casa. Ao lê-lo descobre um mundo mágico, distante da vida insossa, tecnicista e pragmática imposta pelo sistema.
A partir daí, Montag já não se enquadra mais no sistema. Entra em colapso e passa para o lado da resistência, até se juntar com os homens-livros. Imagem genial criada pelo diretor Truffaut da ligação do homem com a literatura, no sentido amplo.
Curiosidades – Os créditos iniciais do filme não são escritos, mas narrados, para antecipar o clima de leitura proibida. Nesse momento, são mostradas várias antenas de TV nas casas. Jean-Louis Richard e François Truffaut, baseado em livro de Ray Bradbury
Fahrenheit 451 (Inglaterra, 1966), direção François Truffaut. Jean-Louis Richard e François Truffaut, baseado em livro de Ray Bradbury. Música: Bernard HerrmanFicção. Elenco: Oskar Werner (Guy Montag), Julie Christie (Linda / Clarisse), Cyril Cusack (Capitão), Anton Diffring (Fabian), Anna Palk (Jackie). Cor. 112 min. Disponível em DVD.
Premiações: BAFTA 1967 (Reino Unido), Indicado na categoria de Melhor Atriz (Julie Christie), Festival de Veneza 1966 (Itália) e indicado ao prêmio Leão de Ouro.


2 comentários:
Filme muito bom e esquecido.
Muito bom!!!
Homens-livros ainda existem! Tenho um professor de mais ou menos 90 anos (é!! 90!!!) que é praticamente uma biblioteca ambulante. Pena que ele já tá quase em chamas...
O filme é espetacular!
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